Cotado para assumir CBF, Cel. Nunes defende Del Nero e banca Dunga

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Coronel Nunes é o provável sucessor de Del Nero na CBF (Foto: Rodolfo Oliveira/Agência Pará)

“Eu não vou ser carrasco que chega e demite o técnico da seleção brasileira”, diz presidente da Federação do Pará em entrevista ao GloboEsporte.com

No dia 16 de dezembro, a CBF deverá escolher Antonio Carlos Nunes Lima, 79 anos, seu novo vice-presidente, em substituição a José Maria Marin, preso desde maio. Se for eleito, o Coronel Nunes será o vice mais velho da CBF e, assim, poderá assumir a presidência em caso de renúncia definitiva de Marco Polo Del Nero, hoje licenciado para se defender de acusações de corrupção formuladas por autoridades dos EUA.

Até os aliados mais próximos de Del Nero admitem que eleger Nunes é uma manobra para evitar que o catarinense Delfim de Pádua Peixoto, 74, hoje vice mais velho, assuma de vez CBF – hoje comandada pelo deputado federal Marcus Vicente (PP-ES . Na manhã desta segunda-feira, Nunes, que é presidente da Federação Paraense desde 1994, falou por telefone ao GloboEsporte.com.

Confira a entrevista abaixo:

O sr. já é candidato a vice-presidente da CBF?
Eu já tive meu nome aprovado pelos colegas presidentes de federação, mas a gente só diz que é candidato mesmo com o registro da chapa, que vai acontecer no dia 11.

O sr. acredita que vai enfrentar alguma oposição?
Olha, pelo movimento que está entre federações e clubes, acredito que haverá apenas uma candidatura.

Acha melhor que seja assim?
Olha, eleição é regime democrático, vence quem tiver mais votos, o edital é publicado nos jornais, está tudo sendo feito de maneira democrática.

Muita gente vê sua indicação como uma manobra para impedir que Delfim Peixoto vire presidente da CBF.
A avaliação que eu faço é a seguinte: sou muito amigo do Delfim, companheiro de várias jornadas. Qualquer um de nós poderia ser indicado. Eu tenho vários atributos, ele também, a idade é um complemento. Eu não acho que seja para impedir o Delfim de trabalhar, de falar, muito pelo contrário. O Delfim é um companheiro que dirige muito bem o futebol de Santa Catarina. De minha parte não tem nada de revanchismo. Se eu fui escolhido, eu só tenho a agradecer.

Como o sr. avalia a gestão de Marco Polo Del Nero?
Ele abriu a CBF para a gente conversar. Ele tinha experiência da Federação Paulista. Sempre manteve administração democrática na CBF, atendia a todos, respondia a todos. Tem dirigente para quem você liga e só fala depois de passar pelo crivo de uma secretária. Marco Polo não. Você liga, ele mesmo retorna, é uma administração democrática.

Del Nero se afastou por que é alvo de uma série de denúncias de corrupção. Como avalia essa situação?
Eu sou coronel da Polícia Militar do Pará e também sou bacharel em direito, conheço bastante. É difícil a gente se manifestar sem conhecer os autos. A gente vê as notícias daqui e de lá. Ninguém vai acreditar ou desacraditar. Eu quero me manifestar quando tiver acesso aos autos.

No atual cenário, é muito provável que o sr. vire presidente da CBF. O sr. já tem planos para quando assumir?
Eu estou acompanhando o processo. A Fifa pode afastar o Marco Polo, pode não afastar. Seria ingênuo eu te dizer que não estou acompanhando. A gente tem condições, sim. Se de repente eu tiver que assumir em definitivo, aí eu tenho que chamar as pessoas de bem e ouvir os projetos delas. Eu fui chamado agora, estou chegando agora. Tenho que conhecer tudo o que a CBF faz, os mecanismos todos, base, futebol feminino. essa gama de atividades que a CBF tem. Será que está tudo bom? Quem tem projeto superior ao que está sendo feito, será chamado para colaborar. A gente tem que ser humilde. Chamar as pessoas e conversar. Não é o Coronel Nunes que vai decidir tudo sozinho.

O sr. pode convocar novas eleições?
O estatuto não prevê isso.

Presidente de Federação Paraense de Futebol (FPF), Coronel Nunes (Foto: Cristino Martins/O Liberal)
Coronel Numes é candidato forte para substituir Marco Polo Del Nero na CBF (Foto: Cristino Martins/O Liberal)

Pretende manter Dunga como técnico da seleção?
Vou te falar: eu conheço o Dunga, é uma pessoa muito séria. Aquele tom de austeridade que a gente vê no semblante do Dunga é o mesmo do tempo que ele era jogador. Eu tive oportunidade de conviver com o Dunga na Copa das Confederações da Africa do Sul em 2009, quando fomos campeões, trouxemos a medalha de ouro. A gente conversava, trocava ideias. A comissão técnica dele era muita aberta. E deu certo daquela maneira. Acho até agora que está indo bem.

Se o sr. virar presidente da CBF, Dunga fica?
Não vou ser o carrasco de chegar e mudar o técnico da nossa seleção, que é uma paixão nacional.

E o clamor que existe pelo Tite?
Tudo tem o seu tempo. No Brasil é muito comum hoje os times trocarem de treinador porque acham que vai resolver problema. É não é assim.

Os clubes do Sul e de Minas querem uma liga. O sr. é a favor?
Eu não conheço esse projeto da Liga. Mas eu conheço o anterior, do começo dos anos 2000. Eu vivi aquele momento. E para nós funcionou, porque o Paysandu ganhou a Liga do Norte, ganhou a Copa dos Campeões ao derrotar o Cruzeiro e foi para a Libertadores. Inclusive ganhou do Boca na Bombonera. Mas naquela época as ligas trabalhavam junto com as federações, com a CBF, arbitragem, STJD. Tem que ser um trabalho conjunto, de todos.

Os três últimos presidentes da CBF são acusados de corrupção. Um deles está preso. O que fazer para mudar a imagem de entidade corrupta?
Temos que trabalhar, levantar e trabalhar. Cada ser humano tem sua maneira de pensar e agir. Temos que juntar as pessoas de bem, trocar ideias. Ouvir os projetos e trabalhar. Eu sempre gosto de dizer: falar é fácil, fazer é mais difícil.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2015/12/cotado-para-assumir-cbf-cel-nunes-defende-del-nero-e-banca-dunga.html