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Jornais estrangeiros falam em ‘jogos manchados’ por corrupção e crise

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Alguns jornais internacionais adotaram um tom pessimista para abordar a abertura dos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro. Reportagens falam em “jogos manchados” por causa da crise política e econômica, a rejeição de parte da população ao evento e os escândalos de corrupção e doping internacional.

“O espírito olímpico dos atletas é a única esperança de redimir os jogos manchados”, diz o título do inglês “The Guardian”. Para o correspondente do jornal, às vezes dá a sensação de que “a cidade e o próprio Comitê Olímpico Internacional estão à beira do caos”. Ele destaca o esforço do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, para mostrar que os benefícios para a cidade “não são só para inglês ver”.

No jornal inglês, o Rio é descrito como cidade dos extremos, onde “a enorme riqueza coexiste lado a lado com a pobreza e o cenário deslumbrante esconde uma infraestrutura decadente”. “Os organizadores precisam superar o cinismo compreensível e a indiferença de seu próprio público para um evento esportivo que não toca o coração brasileiro da mesma forma que a Copa do Mundo fez”, ressaltou.

O francês “Le Monde” fez um editorial chamado “Um ideal olímpico manchado pelo doping e pela corrupção”. “Como acontece em toda Olimpíada, a cerimônia de abertura inaugura uma trégua na qual se enterram todas as queixas repetidas por meses – como o doping, a corrupção, a falta de preparo da hospedagem do país, os custos – para dar lugar ao ‘sonho olímpico'”, escreveu o jornal, que acrescentou: “podemos nos interrogar se esse sonho não está manchado”.

O “Le Monde” cita a rejeição de metade da população brasileira aos jogos, a crise econômica, social, política e moral, os escândalos de corrupção e o fato de o Rio ter decretado falência. Escreveu ainda que “o legado pode se transformar em fardo olímpico para os habitantes do Rio”.

O também francês “Libération” traz uma entrevista com o ex-jogador Raí com o título “No Brasil, o esporte segue sendo supérfluo”. Favorável à organização dos jogos no país, Raí admite que tinha alguns medos que se concretizaram. “A Copa do Mundo foi positiva para o país. Teve um ambiente de festa, os turistas se sentiram bem acolhidos. Mas, para o resto, o balanço é catastrófico. As obras foram superfaturadas e entregues com atraso. O mesmo aconteceu com os Jogos Olímpicos. Tudo isso é indissociável da política”, afirmou.

O argentino “Clarín” menciona os “números que assustam os brasileiros”, apontando que os gastos com a organização foram muito maiores do que o estimado inicialmente. No cálculo original do projeto, estavam previstos gastos de US$ 2,5 milhões (R$ 7,9 milhões), mas o montante chegou a US$ 12 milhões (R$ 38,2 milhões). O jornal lembra que a cidade teve de investir em infraestrutura em pouco tempo para receber um enorme fluxo de turistas.