Casa de prostituição em SC onde delegados da PF foram mortos passa por perícia com escâner 3D

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Delegados foram mortos no bairro Estreito (Foto: Julio Ettore/RBS TV)

Trabalho de peritos do IGP e da Polícia Federal está na fase final e foi realizado na tarde desta segunda (12). Polícia Civil acompanhou.

Quase duas semanas após a morte de dois delegados da Polícia Federal em uma troca de tiros em Florianópolis, uma das últimas etapas da perícia foi feita na tarde desta segunda-feira (12) por integrantes do Instituto Geral de Perícia (IGP-SC) e da Polícia Federal na casa de prostituição onde ocorreu o crime.

“Podem surgir situações novas, informações novas, mas pode-se dizer que é a última etapa de coleta de dados periciais”, afirma Walmir Gomes, diretor do Instituto de Criminalística do estado. Segundo ele, os demais trabalhos de perícia já foram feitos no local pelo IGP.

“O que está sendo feito hoje no local é um escaneamento de local do crime com um escâner 3D que vai lendo todos os pontos e reproduz em fotografia com medições e definições do espaço. Contribui mais visualmente”, detalha Gomes. O IGP não possui o escaner, mas o trabalho acabou sendo feito porque a Polícia Federal ofereceu o equipamento.

De acordo com a Polícia Federal, o “equipamento de última geração veio do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal para utilização no caso” e é operado por peritos da própria PF. O trabalho no local começou por volta das 15h.

Sem prazo

Ainda conforme Walmir Gomes, ainda não há prazo para que o laudo pericial sobre a morte dos delegados seja concluído. “Agora é que recebemos as armas para exames. Ainda não tem data definida”, disse.

Adriano Antonio Soares, de 47 anos, e Elias Escobar, de 60, eram delegados da PF no Rio de Janeiro e morreram na madrugada de 31 de maio. O dono de um cachorro-quente envolvido na troca de tiros é suspeito de ter atirado nos delegados. Escobar era chefe da PF em Niterói e foi atingido por tiros na cabeça e no peito. Ele morreu no local. Já Soares chegou a ir para o hospital, mas morreu em seguida. Ele era chefe da PF em Angra dos Reis.

Delegados do RJ foram mortos em Florianópolis  (Foto: Reprodução/RBS TV)
Delegados do RJ foram mortos em Florianópolis (Foto: Reprodução/RBS TV)

Sem provas para tratar caso como crime

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) afirmou que, por enquanto, não tem provas suficientes para tratar o caso como um crime. O promotor Luis Fernando Pacheco disse que ainda não é possível saber se o comerciante cometeu duplo homicídio ou agiu em legítima defesa. Por isso, o promotor fez uma série de novos pedidos para Polícia Civil, para o hospital que atendeu os envolvidos, para o Instituto Geral de Perícias e para a Polícia Federal.

Marcos Paulo, advogado do dono do trailer de cachorro-quente, afirma que seu cliente possui registro da arma, que está apreendida, mas não tinha autorização para portá-la. O advogado levantou a hipótese de que ele reagiu para se defender.

Pedido de reconstituição

Entre as solicitações do MP está uma reconstituição do que aconteceu na noite em que os policiais foram mortos. No entanto, segundo a Polícia Civil, isso só vai ser possível quando o suspeito tiver alta. Nesta segunda-feira (12) ele continuava internado.

O prazo para entrega das respostas é quinta-feira (15). Só depois, o promotor deve analisar as novas provas e decidir se oferece ou não denúncia contra o comerciante por duplo homicídio.

Depoimento de testemunha

Segundo o depoimento de um funcionário do homem baleado que testemunhou a troca de tiros, um dos delegados mortos teria dito “aqui todo mundo vai morrer“. A testemunha disse que em nenhum momento Soares e Escobar falaram que eram delegados. Ele também relatou que um dos delegados iniciou tiroteio. O funcionário disse que o chefe praticava tiro em uma escola, mas não sabia que ele andava armado nem que tinha uma pistola.

Outros depoimentos

Outras testemunhas, entre taxistas e garotas de programa que trabalham no local, já haviam prestado depoimento à polícia. Esses depoimentos anteriores não afirmavam de onde teria partido o primeiro disparo.

Fonte: http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/casa-de-prostituicao-em-sc-onde-delegados-da-pf-foram-mortos-passa-por-pericia-com-escaner-3d.ghtml