Os ramos secos

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Era uma vez… um mestre jardineiro, hábil em ensinar a cultivação de flores, árvores frutíferas e de plantas ornamentais para apartamentos e jardins. Um dia, o mestre decide explicar a arte da poda. Ensina como e quando deve ser feita segundo quais parâmetros, mas, sobretudo, sublinha a sua importância. Deve ser executada com cuidado porque os ramos secos continuam a chupar linfa vital, impedindo ou atrasando o crescimento de novos brotos. Explica as diferentes técnicas de poda, das mais tradicionais às mais modernas.

Num determinado momento, um aluno pergunta: “E o que fazemos com os ramos secos?” O docente, devolvendo a questão aos alunos pergunta: “O que vocês fariam?” Um deles responde dizendo que escolheria os ramos mais bonitos utilizando-os em composições de flores secas. Outro diz que com os ramos menores faria húmus, presenteando com as maiores um amigo que tem por hobby esculpir em madeira. Um outro os usaria para acender o fogo. Outro usaria os ramos mais fortes como apoio para outras árvores ou para construir andaimes.

Até que o mestre percebe que um dos alunos não participa da discussão, parece imerso em seus pensamentos. Educadamente, dirige-se a ele, perguntando em que pensava. Ele responde que pensava em seu avô, que desperdiçou seu talento de jardineiro tentando cultivar ramos secos. Colocava alguns na água com adubo, outros diretamente na terra adubada. Dedicava todo seu tempo aos ramos secos, descuidando-se de ramos e plantas vivas e fortes. Eles foram sua grande paixão, o que, no entanto, impediu que ele se dedicasse aos brotos, que lhe teriam dado satisfação bem maior.