Fazenda no Rio de Janeiro trata escravidão como atração turística

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Se a gente fosse oferecer um prêmio de close errado do ano, a Fazenda Santa Eufrásia, no Rio de Janeiro, seria uma forte candidata a recebê-lo. A propriedade foi construída por volta de 1830 e osfuncionários (negros) fazem algumas vezes o papel de escravos, enquanto a dona da fazenda participa do espetáculo vestida de sinhá.

A denúncia foi feita pelo The Intercept, em matéria publicada ontem, 6. Quem recebe os visitantes que chegam à fazenda é Elizabeth Dolson, bisneta do coronel Horácio Lemos, que comprou a propriedade em 1905. Para entrar no personagem, ela se veste com roupas de época e se refere às funcionárias como mucamas (o vídeo abaixo é bem explicativo).

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A Santa Eufrásia fica localizada em Vassouras e é uma das construções mais importantes da região, por resguardar mobiliário e utensílios originais do século 19. Entre estes utensílios está um viramundo, um instrumento de tortura de escravos que ela exibe aos visitantes e, segundo a própria Elizabeth, não pertencia à fazenda, tendo sido um presente recebido por ela. Graças a estes aspectos, esta é a única fazenda particular tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio de Janeiro (IPHAN-RJ).

O problema, porém, não reside apenas nas experiências oferecidas pelo local, mas no fato de tudo acontecer sem nenhuma reflexão a respeito das barbáries sofridas pela população negra durante a escravidão, muitas das quais ecoam até os dias de hoje. As visitas custam entre R$ 35 e R$ 65e, ao invés de promover um resgate cultural do momento histórico do país, se vale da espetaculização da tragédia alheia.

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Fonte: hypeness.com.br